Marketing para pequenos negócios
O que a pesquisa brasileira diz sobre pequenos negócios e redes sociais
Antes de decidir quanto investir em conteúdo, ajuda saber o que outros pequenos negócios brasileiros já fazem de fato — não como benchmark de mercado para copiar sem pensar, mas como retrato real, com dados de 2023 e 2024, de onde a maioria já está.
Mais de sete em cada dez já vendem digital
A Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae (9ª edição, questionário online respondido por 5.264 donos de pequenos negócios entre 25 de novembro e 17 de dezembro de 2024) encontrou que 72% dos pequenos negócios vendem utilizando redes sociais, aplicativos ou internet — o Sebrae descreve a série como “na casa dos 70%”. Isso inclui redes sociais, aplicativo de mensagem, marketplace e outros canais — não é exclusivo de quem tem loja virtual própria.
Quase metade já pagou por anúncio, a maioria ainda não
48% dos pequenos negócios já pagaram por propaganda paga nas redes sociais ou na internet, segundo o mesmo levantamento — sendo 59% entre micro e pequenas empresas (MPE) e 39% entre microempreendedores individuais (MEI). Isso significa que a maioria dos MEIs especificamente nunca pagou por anúncio, o que reforça o peso do conteúdo não impulsionado nesse grupo.
Onde o pequeno negócio brasileiro está presente
Entre os que vendem por esses meios, os canais mais citados, segundo o Sebrae, foram WhatsApp (81%), Instagram (60%) e Facebook (34%). As respostas somam mais de 100% porque cada negócio podia citar mais de um canal, e os percentuais valem para quem já vende pelo digital, não para todos os pequenos negócios. O WhatsApp lidera; o Instagram é o segundo canal mais citado.
O que a pesquisa de infraestrutura digital confirma
A TIC Empresas 2023, do Cetic.br (divulgada em 14 de maio de 2024), olha especificamente para pequenas empresas, de 10 a 49 pessoas ocupadas — um público diferente do Sebrae, cuja amostra é majoritariamente de MEIs —, e encontra um padrão parecido: 75% recorrem a plataformas de mensagens (como WhatsApp ou Telegram), 71% têm perfil ou conta própria em redes como Instagram, Snapchat, TikTok ou Flickr, e 71% comercializaram produtos ou serviços pela internet em 2023. Entre as empresas que venderam online, a venda por aplicativos de mensagens é mais recorrente nas pequenas (80%), que também são as que mais usam redes sociais para esse fim (40%) e as que menos vendem em sites próprios (29%). Site próprio aparece em só 52% das pequenas empresas, abaixo do perfil em redes sociais (71%).
Uma dificuldade relatada: tempo e ideia de pauta
Uma reportagem do Meio & Mensagem/Proxxima, publicada em 18 de julho de 2025, cita a Pesquisa Global de Empreendedorismo 2025 da GoDaddy (empresa que vende sites e ferramentas de IA) e aponta que 31% dos empreendedores dizem não ter tempo suficiente para postar com regularidade, e 38% relatam dificuldade para ter ideias interessantes de conteúdo. Vale a ressalva: a reportagem não informa o tamanho da amostra nem a metodologia, e o documento original da GoDaddy não foi conferido — trate como indicativo, não como dado oficial fechado.
O que juntar esses números ensina
Nenhuma dessas pesquisas mede se postar mais gera mais venda — isso nenhuma delas afirma, e qualquer conclusão nesse sentido seria inventada por cima do dado real. O que elas mostram, de forma consistente entre fontes diferentes (Sebrae e Cetic.br, com metodologias e públicos distintos: 72% dos pequenos negócios vendem por canais digitais no Sebrae, e 71% das pequenas empresas têm perfil em rede social no Cetic.br), é que a maioria dos pequenos negócios pesquisados já vende ou tem presença em canais digitais — e que falta de tempo e de ideia de pauta estão entre as dificuldades que parte dos empreendedores diz enfrentar (dado da GoDaddy, com a ressalva já feita acima).
O padrão que aparece em mais de uma pesquisa, com metodologia diferente, é mais confiável do que um número isolado — Sebrae e Cetic.br, com públicos diferentes, encontram a maioria dos pequenos negócios em canais digitais (72% vendem por redes sociais, aplicativos ou internet, no Sebrae; 71% das pequenas empresas de 10 a 49 pessoas têm perfil ou conta em redes como Instagram, Snapchat, TikTok ou Flickr, no Cetic.br), o que reforça que não é exceção, é maioria.
Como priorizar diante desses números
Se o seu negócio ainda não tem presença digital nenhuma, os dados sugerem uma ordem de prioridade: WhatsApp primeiro (o canal mais citado por quem vende pelo digital, e um canal de atendimento direto), Instagram em seguida (o segundo mais citado, com conteúdo publicado que ajuda quem ainda não te conhece a decidir confiar), e Google, via Perfil da Empresa, como complemento de baixo esforço — não exige produção constante de conteúdo, só configuração inicial e atualização ocasional. O guia Instagram e Perfil da Empresa no Google: como usar os dois juntos detalha como combinar os dois canais sem que um substitua o outro.
Dúvidas sobre pesquisas de pequenos negócios e redes sociais
Esses números valem para qualquer segmento de negócio?
As pesquisas citadas são levantamentos agregados, sem recorte por segmento específico — um nicho pode estar acima ou abaixo dessas médias, e isso as pesquisas não detalham.
Onde encontro os dados originais do Sebrae?
No portal Data Sebrae (datasebrae.com.br), no relatório “Pulso dos Pequenos Negócios – 9ª edição: principais resultados”. A Agência Sebrae de Notícias (agenciasebrae.com.br) também publicou uma reportagem sobre a 9ª edição.
E os dados do Cetic.br?
No site do Cetic.br (cetic.br), no release sobre a pesquisa TIC Empresas 2023 (14 de maio de 2024), e nas tabelas da pesquisa, que cobre empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas.
Por que a pesquisa da GoDaddy tem uma ressalva diferente das outras duas?
Porque, diferente do Sebrae e do Cetic.br, que publicam metodologia e dados diretamente em fonte oficial brasileira, o dado da GoDaddy chegou até aqui por reportagem de terceiro (Meio & Mensagem/Proxxima) sem acesso direto ao documento original — por isso o tratamento como indicativo, não como dado fechado.
Parta de onde o seu negócio realmente está
Na Bumpi, você descreve o seu negócio uma vez — o que vende, para quem e em que tom fala — e as pautas sugeridas partem desse resumo, de onde o seu negócio realmente está, e não de médias genéricas de pesquisa. Veja também por que pequenos negócios deveriam criar conteúdo, mesmo sem verba de anúncio e quanto custa produzir conteúdo internamente para aprofundar o tema.