Marketing para pequenos negócios
Quanto custa produzir conteúdo internamente?
“Eu mesmo faço, então não custa nada.” É a conta que quase todo dono de negócio pequeno faz, e ela esconde o custo mais caro da operação: as horas que você tira de atender, vender ou produzir.
Este é um método para chegar a um número real. Não para você desistir de fazer internamente — mas para decidir com informação em vez de sensação.
Os quatro custos que existem
1. Tempo de quem produz. O maior de longe, e o único que costuma ficar de fora.
2. Ferramentas. Edição de imagem, agendamento, banco de fontes, armazenamento.
3. Produção material. Sessão de fotos, cenário, impressão, deslocamento.
4. Retrabalho. O post refeito, a arte que voltou, a campanha reescrita.
Os três últimos aparecem no extrato. O primeiro, não — e é ele que decide se vale a pena.
Passo 1: quanto vale a sua hora
Sem esse número, o resto não fecha. Duas formas de chegar nele:
Se você atende clientes: pegue o faturamento de um mês e divida pelas horas que você efetivamente trabalha nele.
Faturamento R$ 18.000 ÷ 176 horas = R$ 102 por hora
Se você tem equipe: use o custo total da pessoa que vai produzir — salário mais encargos, dividido pelas horas do mês.
Salário R$ 2.400 com encargos ≈ R$ 3.400 ÷ 176 h = R$ 19 por hora
A diferença entre os dois números é a primeira informação útil: a mesma tarefa feita por você ou por alguém da equipe tem custos muito diferentes.
Passo 2: cronometre uma semana
Não estime. Anote, por uma semana, o tempo real de cada etapa:
| Etapa | Anote |
|---|---|
| Pensar a pauta | |
| Fotografar ou gravar | |
| Editar imagem ou vídeo | |
| Escrever a legenda | |
| Revisar e publicar | |
| Responder comentários e direct |
A última linha é a que mais surpreende. Atendimento gerado pelo conteúdo é custo de conteúdo, e quase nunca é contado.
Passo 3: a conta
Um exemplo com números de um negócio pequeno que publica três vezes por semana:
| Etapa | Horas/semana |
|---|---|
| Pauta e planejamento | 1,0 |
| Foto e vídeo | 2,0 |
| Edição | 2,5 |
| Texto | 1,5 |
| Revisão e publicação | 0,5 |
| Resposta a comentários e direct | 2,5 |
| Total | 10,0 |
Com a hora do dono a R$ 102:
10 h × 4,3 semanas = 43 h/mês
43 × R$ 102 = R$ 4.386/mês em tempo
+ ferramentas (R$ 120) + produção (R$ 200 rateados)
= R$ 4.706/mês
Com a mesma operação feita por alguém a R$ 19/hora:
43 × R$ 19 = R$ 817/mês
+ R$ 320 = R$ 1.137/mês
Refaça com os seus números. Os valores acima são ilustrativos — o que importa é a estrutura da conta.
O que fazer com o resultado
O número sozinho não decide nada. Ele fica útil quando entra em três comparações:
Contra a alternativa de contratar. Se produzir internamente custa R$ 4.700 do seu tempo, um orçamento de R$ 2.000 deixa de parecer caro. A comparação com contratação está em quanto custa contratar social media ou usar uma plataforma.
Contra o que aquelas horas renderiam. Se em 43 horas você atenderia 20 clientes a R$ 150, o custo de oportunidade é R$ 3.000. Esse é o número que costuma mudar a decisão.
Contra o retorno. Aqui entra a segunda metade da conta, e ela é mais difícil de estimar com honestidade — o método está em ROI de conteúdo orgânico.
Onde o custo cai de verdade
Antes de concluir que sai caro, vale ver se a operação está mal montada. Três ajustes que reduzem horas sem reduzir volume:
Produzir em bloco. Fotografar dez peças numa sessão custa menos da metade de dez sessões avulsas — o raciocínio está em produção de conteúdo em lote.
Reduzir retrabalho. Definir cor, fonte e formato uma vez elimina a decisão a cada peça.
Concentrar o atendimento. Responder direct em dois blocos por dia, em vez de o dia inteiro, costuma cortar pela metade o tempo gasto.
Em muitos casos, as 10 horas semanais caem para 5 ou 6 só com esses três.
Três erros na conta
Contar só o tempo de execução. Pensar a pauta e responder mensagem são horas de conteúdo.
Usar o salário sem encargos. O custo real de um contratado é bem maior que o salário.
Ignorar o custo de não fazer. Parar de publicar tem custo também, e ele não aparece em nenhuma planilha — só na queda lenta de contato ao longo dos meses.
Dúvidas sobre o custo de produzir internamente
Vale contar o tempo do sócio que “faz nas horas vagas”?
Vale. Hora de fim de semana tem custo — em cansaço, em qualidade e em coisas que deixaram de ser feitas. Se preferir, use um valor menor que o da hora comercial, mas não use zero.
E se meu faturamento variar muito?
Use a média dos últimos três meses. A conta não precisa ser exata; precisa ser da ordem de grandeza certa.
Produzir internamente sempre sai mais caro?
Não. Sai mais caro quando quem produz é quem mais fatura por hora, e sai mais barato quando existe alguém na equipe com hora de custo baixo e o processo está organizado. A resposta muda conforme quem faz.
Refaça a conta com a primeira versão pronta
Na Bumpi, pauta, texto e organização ficam no mesmo lugar, com a primeira versão pronta para você revisar — o que você descreve sobre o negócio uma vez orienta as peças seguintes.