Marketing para pequenos negócios

Palavras-chave locais: como descobrir o que seus clientes pesquisam

Você chama de “design de sobrancelhas com henna”. A cliente digita “fazer sobrancelha perto de mim”. Você anuncia “harmonização facial”; ela procura “preencher bigode chinês”. Enquanto os dois vocabulários não se encontram, o conteúdo fica correto e invisível.

Por Equipe Bumpi Publicado em 5 min de leitura

Descobrir o que as pessoas realmente digitam não exige ferramenta paga. Exige olhar para lugares que você já tem e que quase ninguém usa.

As cinco fontes que você já possui

Antes de qualquer ferramenta, esgote o que está de graça na sua frente.

1. As mensagens que você recebe. Abra o WhatsApp e o direct e leia as últimas 50 primeiras mensagens de clientes novos. Não as suas respostas — as perguntas iniciais. Ali está o vocabulário exato de quem ainda não é cliente. Anote as palavras como foram escritas, com erro e tudo.

Se você já tem o hábito de transformar dúvidas de clientes em conteúdo, essa lista provavelmente já existe pela metade — a diferença aqui é anotar a forma exata da pergunta, não só o tema.

2. O que as pessoas perguntam no balcão. Anote durante uma semana. “Vocês fazem aquele que dura mais?” é uma pergunta real que revela como o serviço é chamado por quem não conhece o nome técnico.

3. As avaliações que você recebeu. As pessoas descrevem o serviço com as próprias palavras. É material limpo e público — mais um motivo para manter a rotina de pedir avaliação ao cliente.

4. O relatório de buscas do seu Perfil da Empresa. O Google mostra por quais termos as pessoas chegaram até você. É a fonte mais direta que existe, e a maioria dos negócios nunca abriu.

5. O Search Console, se você tem site. Mostra as consultas que trouxeram visita. Mesmo com pouco volume, o que aparece ali é real.

Essas cinco fontes costumam render 30 a 50 termos, todos verdadeiros. É mais do que você vai conseguir usar em seis meses.

As três fontes públicas do Google

Com a lista inicial na mão, amplie usando o próprio buscador:

Sugestões da barra de busca. Digite o serviço e pare. As sugestões que aparecem são buscas reais e frequentes. Digite também com “a”, “b”, “c” no fim para forçar variações.

“As pessoas também perguntam”. O bloco de perguntas no meio da página de resultados é uma lista pronta de dúvidas com demanda.

Buscas relacionadas. No fim da página de resultados.

Faça isso numa janela anônima, para não misturar o seu próprio histórico. E faça no celular também: as sugestões variam.

O Google Trends completa o quadro para comparar dois termos e ver sazonalidade — mas atenção, ele mostra interesse relativo, não volume, e termos de cauda longa simplesmente não aparecem lá. Ausência no Trends não significa que ninguém busca; significa que está abaixo do piso de medição.

Como uma busca local se monta

Termos locais costumam combinar quatro pedaços. Reconhecer isso ajuda a gerar variações que fazem sentido:

PedaçoExemplos
Serviçosobrancelha, alongamento de unha, conserto de geladeira
Intençãopreço de, quanto custa, como funciona, melhor
Lugarperto de mim, na Vila Nova, em Santo André, no centro
Condiçãoaos domingos, sem agendamento, 24h, com estacionamento

Combinar dois ou três pedaços gera as buscas de cauda longa, que trazem menos gente e gente muito mais decidida. “Manicure aos domingos na Vila Nova” tem pouquíssimo volume — e quem digita isso está a um passo de agendar.

Separe por intenção, não por volume

Depois de listar, agrupe. É esse agrupamento que decide o que vira conteúdo e o que vira página.

Quem quer contratar agora. “Perto de mim”, “aberto agora”, “telefone de”, nome do serviço + bairro. Esses termos se resolvem no Perfil da Empresa e no site, não em post.

Quem está comparando. “Quanto custa”, “vale a pena”, “X ou Y”, “melhor”. Viram conteúdo de comparação e de preço.

Quem está aprendendo. “Como funciona”, “dói”, “quanto tempo dura”, “pode fazer grávida”. Viram conteúdo educativo — e são os que mais rendem, porque quase ninguém responde direito.

Quem procura você. Seu nome, seu nome + bairro. Se aparecem erros de grafia frequentes, vale registrá-los.

Não escolha pelo maior volume. Escolha pelo que você resolve bem e pelo que a concorrência responde mal.

Uma verificação antes de usar

Três checagens que evitam trabalho perdido:

A palavra é usada na sua região? Vocabulário muda de estado para estado — “sinaleiro”, “semáforo” e “farol”; “mandioca”, “aipim” e “macaxeira”. Confie no que aparece nas suas mensagens, não no que soa certo.

Você entrega o que o termo promete? Não persiga uma busca que você não atende. Traz contato errado e ocupa o seu tempo.

Alguém já responde bem? Busque o termo e veja o que aparece. Se as três primeiras respostas são fracas, genéricas ou de fora da sua região, há espaço. Se são completas, escolha um recorte mais específico.

Guarde numa lista simples

Não precisa de planilha complexa. Cinco colunas resolvem:

  1. O termo, escrito como a pessoa escreve.
  2. Onde você achou (mensagem, sugestão, avaliação, perfil).
  3. A intenção (contratar, comparar, aprender).
  4. Se você atende bem.
  5. Se já existe conteúdo seu sobre isso.

Revise a cada três meses, acrescentando os termos novos que apareceram nas mensagens. Essa lista vira a fila do que produzir — e o que fazer com ela está em como criar conteúdo para aparecer nas buscas do seu bairro.

O erro que anula tudo

Encontrar o termo e depois escrever o texto em volta dele, repetindo-o em cada parágrafo. Isso produz um texto que ninguém termina de ler.

A palavra-chave serve para você saber sobre o que escrever e com que vocabulário. Ela precisa aparecer com naturalidade — no título, na primeira parte do texto, em um subtítulo — e depois o texto segue no idioma normal, com sinônimos e variações.

Se ao ler em voz alta você tropeça na repetição, o buscador não vai gostar mais do que você.

Dúvidas sobre palavras-chave locais

Preciso de ferramenta paga?

Para negócio local, quase nunca. As mensagens que você recebe, o relatório do Perfil da Empresa e as sugestões do buscador cobrem o essencial. Ferramenta paga faz diferença quando existe volume grande e concorrência organizada.

Volume baixo vale a pena?

Para negócio local, vale muito. Dez buscas por mês de gente do seu bairro procurando exatamente o que você faz valem mais que mil buscas nacionais que você não atende.

E se meu serviço não tiver nome popular?

Use os dois: o termo técnico, para quem já sabe, e a descrição do problema, para quem não sabe. “Bruxismo” e “ranger os dentes à noite” são a mesma busca feita por pessoas diferentes.

Pautas a partir do vocabulário do negócio

Na Bumpi, o que você descreve no resumo do negócio — serviços, público e diferenciais — orienta as pautas, então o conteúdo parte do vocabulário do negócio em vez de uma lista genérica.

Gerar pautas do negócio