Inteligência artificial
Como escrever prompts que entendem o contexto do seu negócio
“Escreva uma legenda para o meu post” devolve exatamente o que você pediu: uma legenda para um post qualquer, de um negócio qualquer. Vem cheia de “descubra o poder de”, “eleve seu”, “não perca essa oportunidade” — e você reescreve tudo, concluindo que a ferramenta não serve.
O problema não é a ferramenta. É que ela não sabe nada sobre você, e o pedido não contou. Prompt genérico produz texto genérico porque não havia nada específico para dizer.
O contexto que precisa entrar
Sete informações resolvem quase todo pedido de texto. Escreva uma vez, guarde num bloco de notas e cole antes de cada pedido:
- O que o negócio faz, em uma frase concreta.
- Para quem, com o recorte real — idade, situação, o que a pessoa está tentando resolver.
- O que diferencia, com algo verificável, não adjetivo.
- Como você fala — informal ou formal, se usa gíria, se trata por você ou senhor.
- O que nunca dizer — promessa de resultado, termo técnico sem explicação, palavra que você odeia.
- O canal de atendimento e o próximo passo que a peça deve pedir.
- A região, se for negócio local.
Esse bloco tem cinco ou seis linhas e não muda. Escrever uma vez economiza dez reescritas por semana.
A anatomia de um bom pedido
Cinco partes, na ordem:
1. Papel e contexto. Quem você é e o que o negócio faz. 2. A tarefa exata. Formato, extensão, quantidade. 3. A matéria-prima. O caso real, o preço, a objeção, o que aconteceu. 4. As restrições. O que não pode aparecer. 5. O formato da resposta. Como você quer receber.
A parte 3 é a que separa resultado útil de texto genérico, e é a mais pulada. Sem matéria-prima específica, nenhuma quantidade de instrução salva o resultado.
Um exemplo lado a lado
Pedido fraco
Escreva uma legenda para o meu post de manicure.
Pedido com contexto (cidade, público e prazo de duração são inventados só para ilustrar; no seu pedido entram os do seu negócio)
Sou manicure em Santo André e atendo principalmente mulheres de 30 a 50 anos que trabalham fora e têm pouco tempo. Meu diferencial é que atendo com hora marcada e nunca atraso — recebo no máximo seis pessoas por dia.
Escreva uma legenda de até 5 linhas para uma foto de alongamento em fibra de vidro.
Matéria-prima: a cliente perguntou se dura mais que o gel. Dura, em média três semanas contra duas, e não é indicado para quem tem unha muito fina.
Não use: promessa de resultado, “transforme suas unhas”, emoji em excesso, exclamação.
Formato: primeira linha entregando a informação, depois o contexto, e terminando com um convite para chamar no WhatsApp.
O segundo produz um texto que só serve para você. O primeiro produz um texto que serve para qualquer manicure do Brasil — e é por isso que soa vazio.
Dê a matéria-prima, não peça para inventar
O erro mais sério do setor é pedir para a ferramenta preencher o que ela não sabe. Nunca peça para gerar:
- Depoimento de cliente. Se não aconteceu, é depoimento falso.
- Número, estatística ou pesquisa. Vai sair um número plausível e inventado.
- Caso de sucesso. Idem.
- Preço, prazo ou condição. Só você sabe.
- Informação sobre lei, norma ou saúde. Precisa de fonte, não de geração.
Se falta a informação, o caminho é buscá-la, não gerá-la. Peça para a ferramenta organizar o que você tem, não inventar o que falta.
Como corrigir sem começar do zero
Quando a saída vem quase boa, corrija por instrução específica em vez de refazer o pedido:
| O que veio | O que pedir |
|---|---|
| Genérico demais | “Use o caso que eu descrevi em cada exemplo” |
| Formal demais | “Escreva como quem explica no balcão, sem 'nós oferecemos'” |
| Cheio de adjetivo | “Troque cada adjetivo por um fato verificável” |
| Longo demais | “Corte pela metade mantendo a informação e cortando o contexto” |
| Repetitivo | “Não comece duas frases seguidas do mesmo jeito” |
| Sem chamada | “Termine pedindo [ação] pelo [canal]” |
Corrigir por instrução é mais rápido e produz um texto melhor do que tentar acertar o prompt perfeito na primeira.
Revise sempre, e o que procurar
Nada do que sai vai direto para o ar. Cinco checagens:
- Tem número, prazo ou promessa que você não pode comprovar?
- A cor, o preço ou a condição correspondem à realidade?
- Soa como alguém do negócio falando, ou como um anúncio?
- Sobrou algum termo que você nunca usa?
- A informação principal está na primeira linha?
A quarta é a que mais denuncia. “Potencialize”, “descomplicar”, “jornada”, “solução completa” — palavras que quase ninguém fala e que aparecem sozinhas.
O critério completo de texto que soa humano está em como escrever legendas para Instagram.
Um cuidado com dado de cliente
Não cole no pedido nome, telefone, endereço, prontuário, foto ou qualquer dado que identifique alguém. Se você quer usar um caso real, descreva a situação sem identificar a pessoa: “uma cliente com unha fina perguntou” em vez do nome dela.
Isso vale para print de conversa também — o conteúdo dela é de quem escreveu.
Prompt de imagem é outro assunto
O que vale aqui é para texto. Pedido de imagem tem estrutura própria, com um bloco dedicado ao que preservar do original, e está em prompt para foto profissional.
Dúvidas sobre prompts com contexto
Preciso repetir o contexto toda vez?
Na mesma conversa, não — ele já está lá. Em conversa nova, sim. Por isso o bloco de contexto salvo num arquivo compensa tanto.
Quanto detalhe é demais?
Detalhe sobre o negócio e sobre o caso, nunca é demais. Instrução de estilo empilhada, sim: mais de cinco ou seis restrições começam a se contradizer.
O texto gerado precisa ser identificado como IA?
Para texto de legenda, não existe obrigação. O que existe é a responsabilidade pelo conteúdo: o que está publicado é seu, independentemente de como foi escrito.
O contexto registrado uma vez
Na Bumpi, você preenche o resumo do negócio uma vez — o que vende, para quem, tom de voz e diferenciais — e esse contexto orienta as criações, então você não precisa recolar essas informações a cada pedido.